Conceito de avaliação

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Avaliação como medida

Esta é a conceção mais antiga. O desenvolvimento da avaliação está ligado ao desenvolvimento da medida científica. De início procurou-se construir provas cada vez mais objetivas e normalizadas - os testes.

A finalidade era "objetivar" a informação sobre resultados das aprendizagens. Durante a Segunda Guerra Mundial o aparecimento de sistemas de formação dos soldados conduziu ao desenvolvimento de instrumentos que permitissem apreciar a eficácia dos sistemas de formação acelerada. O objetivo era agora avaliar o próprio sistema de formação.

Mais próximo de nós, a preocupação dos especialistas centrou-se na medida da congruência dos sistemas de educação e formação. Avalia-se agora o seu rendimento e eficácia. Os custos cada vez maiores dos sistemas conduzem à necessidade de avaliar rendimento e eficácia. Porém outras questões se levantam com esta abordagem. Podemos medir tudo? Como não o podemos fazer, então teremos de retirar do campo da avaliação tudo o que não seja mensurável?

A formação, em todas as dimensões, não é mensurável e, não se esgota na avaliação quantitativa. Ela pressupõe a dimensão qualitativa.

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Avaliação como congruência

A avaliação foca a relação de afastamento ou de concordãncia entre os objetivos de formação propostos para o sistema e os comportamentos finais obtidos. Mais simplesmente, avalia-se a distância entre objetivos e produtos da formação.

Pressupõe um manancial de referências ou indicadores que possam servir de critérios para a avaliação do sistema. Obtém-se informações sobre o próprio processo de formação.

Esta conceção, por incidir nos "produtos curriculares", é muitas vezes acusada de demasiado tecnicista. Nesta perspetiva a formação reduzir-se-ia à aquisição de conhecimentos.

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Avaliação como julgamento profissional

A avaliação nesta perspetiva é encarada como julgamento dos comportamentos. Emite-se um juízo sobre os produtos das aprendizagens com auxílio de instrumentos rigorosos e corretos, elaborados por especialistas.

Por vezes ficam encapotados os critérios, parâmetros e processos da própria avaliação. Para a avaliação ser entendida como processo rigoroso há que incluir os fins, os contextos e as práticas da formação e da avaliação.

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Avaliação como meio de gestão da ação de formar

A conceção aqui proposta assume a forma de produção de informação e aborda três dimensões:

  • Como se produz a informação - campo das operações e das práticas avaliativas;
  • Pertinência das informações - qualidade das informações e adequação ao contexto; se avaliamos a qualidade pedagógica, as informações são dum tipo; se avaliamos a política educativa ou um sistema de formação, serão outras as informações relevantes.
  • Gestão da ação - clarifica os fins da avaliação.

O sentido da avaliação não é apenas recolher informações sobre o que os formandos "sabem", mas indicar os aspectos a melhorar ou a desenvolver numa melhor gestão dos sistemas.

Assim a avaliação pode ser apresentada como um processo com três operações:

  • Confrontar os dados reais (obtidos) com os resultados propostos;
  • Apreciar, julgar, informar sobre o valor duma realidade face a um plano;
  • Produzir informação relevante: os dados recolhidos têm de ser úteis aos atores para uma intervenção eficaz.

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Avaliação pedagógica

A função de avaliar corresponde a uma análise cuidada das aprendizagens conseguidas face às aprendizagens planeadas, o que se traduz numa descrição que informa formadores e formandos sobre os objetivos atingidos e aqueles onde se levantaram dificuldades.

A avaliação distingue-se do termo "classificação". A "classificação" transporta para uma escala as informações obtidas pela avaliação. Fazem-se comparações e seriações para decidirmos da progressão dos formandos no sistema ou obtenção dum certificado. Classificação e avaliação têm funções diferentes no processo de formação.

A aprendizagem define-se como a modificação que surge num resultado obtido, associada à prática e à experiência. A aprendizagem realmente efetuada coincide com a diferença existente entre um estado inicial definido e um outro estado que lhe sucede, quer se trate de dois estados quaisquer ou de estados sucessivos numa progressão sequencial.

A apreciação sobre uma aprendizagem requer que as informações recolhidas sejam combinadas sob vários pontos de vista. A aprendizagem é simultaneamente um produto, um processo e função de vários fatores. São as variáveis de processo, produto e os fatores que a avaliação deve controlar, mediante uma recolha sistemática de informações.

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