mapa do site
Início > Manual > Avaliação da aprendizagem > Conceito de avaliação
Capítulo 7

7.1 O conceito de avaliação

7.1.1 A avaliação como medida

Esta é a concepção mais antiga. O desenvolvimento da avaliação está ligado ao desenvolvimento da medida científica. De início procurou-se construir provas cada vez mais objectivas e normalizadas - os testes. A finalidade era "objectivar" a informação sobre resultados das aprendizagens. Durante a Segunda Guerra Mundial o aparecimento de sistemas de formação dos soldados conduziu ao desenvolvimento de instrumentos que permitissem apreciar a eficácia dos sistemas de formação acelerada. O objectivo era agora avaliar o próprio sistema de formação.

Mais próximo de nós, a preocupação dos especialistas centrou-se na medida da congruência dos sistemas de educação e formação. Avalia-se agora o seu rendimento e eficácia. Os custos cada vez maiores dos sistemas conduzem à necessidade de avaliar rendimento/ eficácia. Porém outras questões se levantam com esta abordagem. Podemos medir tudo? Como não o podemos fazer, entío teremos de retirar do campo da avaliação tudo o que não seja mensurável? A formação, em todas as dimensões, não é mensurável e, não se esgota na avaliação quantitativa. Ela pressupõe a dimensão qualitativa.

7.1.2 A avaliação como congruência

A avaliação foca a relação de afastamento ou de concordãncia entre os objectivos de formação propostos para o sistema e os comportamentos finais obtidos. Mais simplesmente, avalia-se a distãncia entre objectivos e produtos da formação. Pressupõe um manancial de referências ou indicadores que possam servir de critérios para a avaliação do sistema. Obtém-se informações sobre o próprio processo de formação. Esta concepção, por incidir nos "produtos curriculares", é muitas vezes acusada de demasiado tecnicista. Nesta perspectiva a formação/educação reduzir-se-ia à aquisição de saberes/conhecimentos.

7.1.3 A avaliação como julgamento profissional

A avaliação nesta perspectiva é encarada como julgamento dos
comportamentos. Emite-se um juízo sobre os produtos das aprendizagens com auxílio de instrumentos rigorosos e correctos, elaborados por especialistas. Por vezes ficam encapotados os critérios, parãmetros e processos da própria avaliação. Para a avaliação ser entendida como processo rigoroso há que incluir os fins, os contextos e as práticas da formação/avaliação.

7.1.4 A avaliação como meio de gestão da ação de formar

A conceção aqui proposta assume a forma de produção de informação e aborda três dimensões:

  • como se produz a informação - campo das operações e das práticas avaliativas;
  • pertinência das informações - qualidade das informações e adequação ao contexto; se avaliamos a qualidade pedagógica, as informações são dum tipo; se avaliamos a política educativa ou um sistema de formação, serío outras as informações relevantes.
  • gestão da acção - clarifica os fins da avaliação.

O sentido da avaliação não é apenas recolher informações sobre o que os formandos "sabem", mas indicar os aspectos a melhorar ou a desenvolver numa melhor gestão dos sistemas. Assim a avaliação pode ser apresentada como um processo com três operações:

  • confrontar os dados reais (obtidos) com os resultados propostos;
  • apreciar, julgar, informar sobre o valor duma realidade face a um plano;
  • produzir informação relevante: os dados recolhidos têm de ser úteis aos actores para uma intervenção eficaz.

7.1.5 A avaliação pedagógica

A função de avaliar corresponde a uma análise cuidada das aprendizagens conseguidas face às aprendizagens planeadas, o que se traduz numa descrição que informa formadores e formandos sobre os objectivos atingidos e aqueles onde se levantaram dificuldades.

A avaliação distingue-se do termo "classificação". A "classificação" transporta para uma escala as informações obtidas pela avaliação. Fazem-se comparações e seriações para decidirmos da progressão dos formandos no sistema ou obtenção dum certificado. Classificação e avaliação têm funções diferentes no processo de formação.

A aprendizagem define-se como a modificação que surge num resultado obtido, associada à prática e à experiência. A aprendizagem realmente efectuada coincide com a diferença existente entre um estado inicial definido e um outro estado que Ihe sucede, quer se trate de dois estados quaisquer ou de estados sucessivos numa progressão sequencial.

A apreciação sobre uma aprendizagem requer que as informações recolhidas sejam combinadas sob vários pontos de vista. A aprendizagem é simultaneamente um produto, um processo e função de vários factores. são as variáveis de processo, produto e os factores que a avaliação deve controlar, mediante uma recolha sistemática de informações.

A seguir: 7.2

 

 

Ideias a reter

  • a função de avaliar corresponde a uma análise cuidada das aprendizagens conseguidas face às aprendizagens planeadas, o que se traduz numa descrição que informa formadores e formandos sobre os objectivos atingidos e aqueles onde se levantaram dificuldades;
  • a avaliação pode ser encarada sob diversos prismas:
    •  a avaliação como medida: o desenvolvimento da avaliação está ligado ao desenvolvimento de medidas científicas;
    • a avaliação como congruência: avalia-se a distãncia entre objectivos e produtos da formação;
    • a avaliação como julgamento profissional: emite-se um juízo sobre os produtos das aprendizagens com auxílio de instrumentos rigorosos e correctos, elaborados por especialistas;
    • a avaliação como meio de gestão da acção de formar: a concepção aqui proposta assume a forma de produção de informação e aborda três dimensões:
      • como se produz a informação;
      • pertinência das informações;
      • gestão da acção;
  • a avaliação pedagógica distingue-se do termo «classificação».