mapa do site
Início > Manual > O formador e o contexto da formação > O conceito de formação profissional

O conceito de formação profissional

O nosso tempo é caracterizado por um acelerado processo de transformações e de mudanças, algumas com profundas incidências sobre a existência e sobre o futuro da pessoa humana e das sociedades em contexto social. O conceito de mudança surge-nos, por toda a parte, como um conceito fundamental para a interpretação do mundo em que vivemos, mesmo correndo o risco de qualquer interpretação ou previsão, rapidamente caducar. De que mudanças falamos? Logo à partida, de mudanças no espaço que nos rodeia, cada vez menos rural e cada vez mais urbano, de mudanças no equilíbrio entre o trabalho e o lazer, de mudanças nos hábitos e nos modelos de comportamento, transformando e criando progressivamente novos estilos de vida.

í€ emergência deste novo mundo, quase sempre imprevisível, caótico por vezes, não serío estranhas duas tendências de fundo, cuja necessidade de compreender e controlar se torna cada vez mais pertinente para assegurar o futuro das sociedades humanas. A primeira destas tendências refere-se ao quadro de mudanças que uma nova ordem científica e tecnológica estabeleceu no âmbito relacional e social. Rompendo com equilíbrios tradicionais, a electrónica, a informática, a manipulação genética, a bioquímica instalaram no quotidiano descobertas e inventos, a um tempo fascinante, pelas possibilidades inteiramente novas que abrem, pelas consequências que dificilmente se adivinham. A outra tendência respeita ao conjunto de mutações políticas e económicas que o mundo contemporãneo enfrenta. Responder à inovação constante que emana da actividade económica actual, às novas ideias e processos que a caracterizam, às novas tecnologias que transformam, segundo a segundo, as novas modalidades de produção e responder às permanentes alterações competitivas com mais eficácia, subentende uma evolução contínua das competências cognitivas dos recursos humanos, assim como uma maior agilidade empresarial.

As organizações estão sujeitas a processos contínuos de mudança para se adaptarem às alterações do meio envolvente. Umas adaptam-se de forma pró-activa, antecipando integrando e liderando as mudanças, outras caem em posições reactivas, que são causa de dificuldades e podem dar origem a crises estratégicas. O conhecimento numa organização está em actualização permanente e depende muito das políticas adoptadas no domínio da formação e desenvolvimento dos recursos humanos. Com a dinãmica exigida é afastado o planeamento tradicional, burocratizado e é dado lugar a formas de planeamento flexíveis.

 A rapidez, a inovação, a informação e a comunicação passaram a constituir já há algum tempo armas estratégicas nos nossos dias. Nas organizações tem de existir «conhecimento» que estabeleça a ponte entre estes factores e a acção eficaz. Os colaboradores das organizações têm de estar motivados e serem qualificados. Cada vez mais a qualidade dos recursos humanos constitui um factor crítico de sucesso. A formação profissional neste contexto de mudança e de competitividade deve ser encarada cada vez mais como um processo e não um acontecimento. » necessário formular estratégias de formação que estejam integradas, subordinadas à estratégia global da organização e ao serviço desta. A formação abarca mais do que a instrução organizada em sala, seminários e conferências. Contempla uma variedade de meios de aprendizagem, mais ou menos formais, que contribuem para desenvolver as competências e melhoram a eficácia das pessoas no desempenho das suas funções e por acumulação e sinergia aumentam a eficácia das organizações. Actualmente, é dado como certo que o êxito das organizações depende da sua capacidade para gerir as mudanças das tecnologias, dos produtos, mercados, empregos e das formas de concorrência em geral.

Esta capacidade depende da disponibilidade de recursos humanos qualificados, equipados com os conhecimentos mais avançados nos domínios técnicos e de gestão. Como consequência, vimos assistindo ao crescimento dos investimentos das organizações na formação dos seus colaboradores de que resultam algumas vantagens evidentes:

  • aplicações inovadoras das novas tecnologias;
  • implementação com maior rapidez;
  • melhorias da qualidade;
  • melhorias da produtividade;
  • melhores resultados da aprendizagem;
  • melhor relação custo - benefício das acções de formação;
  • desenvolvimento dos recursos humanos e melhores oportunidades de carreira profissional.
» conveniente referir que este interesse pela formação não resulta exclusivamente do interesse esclarecido dos dirigentes das nossas empresas. Desde os anos oitenta que na nossa sociedade têm emergido importantes forças económicas, políticas e sociais que se reforçam para fazer sentir às empresas a necessidade de definir estratégias dinãmicas de formação, em sintonia com os seus objectivos estratégicos como condição de sobrevivência neste mundo de mudanças. Como síntese, podemos considerar que o actual interesse pela formação se deve fundamentalmente, à convergência das seguintes tendências:
  • aumento da concorrência global;
  • rápidas mudanças das tecnologias que provocam alterações das operações/processos/produtos/funções/fluxos/ competências necessárias;
  • fusões/aquisições e desinvestimento com realinhamento das estruturas e funções;
  • aumento do nível educativo da força de trabalho acompanhado da melhoria da imagem que cada um faz de si próprio;
  • declínio de certas profissões e funções com emergência e ascensão de outras novas induzidas pelas mudanças económicas, tecnológicas e sociais.