Seleção dos recursos didáticos

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Este artigo pretende auxiliar o formador a identificar os fatores que condicionam a seleção dos recursos didáticos para uma determinada ação de formação.

Factores que condicionam a selecção dos recursos didácticos

Como selecionar os recursos para a formação? Porquê é que um recurso pode ser mais adequado do que outro? Qual o resultado que se obtém com este ou aquele recurso?

Estas são algumas das questões que os formadores colocam a si mesmos em sede de planificação da sua formação. A resposta claramente não é linear.

Não se pode dizer que exista uma fórmula uniformizada para a seleção deste ou daquele recurso pedagógico, ou para a combinação ideal entre eles. Terá que ser o formador, depois de fazer uma análise cuidada ao grupo e aos objetivos traçados, a definir qual a melhor estratégia a aplicar.

Neste processo seletivo, devemos ter em conta que, por mais sofisticados que sejam os recursos, estes seguramente não irão servir para todo o tipo de sessão.

Cada situação de aprendizagem é singular, por isso a seleção do(s) recurso(s) deve ser original e circunscrever-se a uma situação formativa em particular. A variedade de recursos e métodos a utilizar dependerá da variedade que a situação de aprendizagem propiciar.

O Objetivo

Se o objetivo for demonstrar a funcionalidade do quadro branco, certamente iremos fazê-lo melhor na presença deste recurso do que através de um filme. Os recursos seleccionados terão de estar sempre em consonãncia com a concretização dos objetivos.

O formador deve saber claramente o que devem aprender os formandos e, a partir daí, traçar os caminhos que melhor desenvolvam as sua competências e habilidades.

Os destinatários

Os recursos selecionados devem adequar-se às caraterísticas psicológicas dos participantes. Esta tarefa obriga a que tenhamos que determinar quais as caraterísticas diretamente relacionadas com a aprendizagem: conhecimentos prévios, ritmos de aprendizagem, capacidade de expressão, inteligência,...

Há grupos de formandos que necessitam de ser mais estimulados que outros. Há que aferir qual o recurso que melhor o estimulará. É indispensável que se faça uma análise criteriosa às caraterísticas do público-alvo e que daí resultem experiências suficientes para fazer assimilar determinados conceitos.

O conteúdo da mensagem

Se a mensagem se destinar a uma reflexão individual, o melhor recurso será com certeza o texto impresso. Permite uma concentração individual maior e a anotação de algumas reflexões, por parte do formando. Se a mensagem se destinar a uma análise de grupo, o recurso a um equipamento projetável, será o aconselhável.

Os condicionalismos materiais

Quando planificamos uma sessão, temos que nos assegurar que os equipamentos necessários à nossa estratégia irão estar disponíveis e em condições de funcionamento. Se o recurso selecionado não estiver disponível, deve-se optar por outro alternativo que garanta uma taxa de sucesso próxima daquela a que nos propusemos inicialmente.

O tempo disponível

Se a nossa sessão estiver planificada para 60 minutos não podemos, certamente, fazer uso de um filme de duração superior a 30 minutos, sob pena de não termos tempo para aprofundar a discussão e avaliarmos as conclusões.

Os sentidos do formando

Ao pretender concretizar um determinado objetivo não poderá nunca cair no erro de estimular apenas um sentido. Devem-se estimular os diferentes sentidos de modo a que todos eles contribuam na sua totalidade para que o formando, no final da sessão, tenha apreendido os conteúdos de tal modo que os consiga executar e explicar.

A sofisticação dos recursos

Os recursos selecionados deverão permitir a visualização de forma clara e realista as ideias que o formador pretende apresentar. Torna-se assim necessário, por exemplo, que o formador assegure a nitidez de um filme, a legibilidade de um texto, a clareza do som, etc.

Custos dos recursos

Ainda que pareça que o argumento económico não devesse interferir, sabemos que não é assim. Há que avaliar se os custos associados ao recurso, irão compensar em função dos benefícios previstos da aprendizagem. Se não, há que pensar em alternativas. Torna-se também necessário adequarmos a nossa planificação aos recursos em consonãncia com a capacidade económica da Entidade responsável pela formação.

Função do recurso didáctico

A seleção de um recurso deve basear-se na função que irá desempenhar numa situação de ensino-aprendizagem. Os recursos podem assumir funções distintas. Por exemplo, um conjunto de acetatos coloridos ou um filme ajudam à introdução de um tema e facilitam a motivação. Outros recursos haverá que facilitam a retenção e a memorização, como os audiovisuais em geral.

Condicionalismos físicos

A falta de espaço para a realização de uma atividade, a distância dos formandos ao televisor, a dificuldade em obscurecer a sala, etc. são também fatores a considerar.

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Apreciação crítica

A utilização dos recursos didáticos não pode ser um fim em si mesmo. Deverá sim ser um meio para melhor se concretizar os objetivos de uma sessão de formação. Não poderá ser uma panaceia que resolve todos os problemas pedagógicos.

Os recursos a utilizar não podem constituir um produto acabado, sem qualquer possibilidade de exploração, eliminando assim todas as possibilidades de criação por parte dos formandos.

Ora, para obviar este problema, os recursos didáticos têm que ser utilizados de uma forma bastante consciente, nunca servindo para salvar uma sessão mal preparada.

O excesso de utilização, assim como as más condições técnicas ou ambientais de apresentação, provocam a fadiga e o desinteresse dos formandos. O formador não pode cair na tentação de escolher os meios que mais lhe agradem, mas deverá sempre optar pelo meio mais apropriado a cada situação.

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