Processos e etapas

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Pretende-se que, ao ler esta secção, fique apto a identificar os principais fatores e as condições facilitadoras no processo de aprendizagem.

Processos de aprendizagem

A função de qualquer teoria de ensino/formação é dar a conhecer que diferentes tipos de aprendizagem:

  • implicam diferentes processos cognitivos;
  • pressupõem diferentes capacidades;
  • exigem níveis de resposta diferenciados.

Estes constituem aspectos facilitadores ou inibidores das aprendizagens em jogo.

O formador é, antes de mais, um facilitador de aprendizagem funcionando como mediador entre os saberes que o formando já tem e os que necessita de adquirir. O conhecimento dos processos cognitivos envolvidos na resolução das diferentes tarefas de aprendizagem, ajuda quer o formando, quer o formador a otimizarem o seu trabalho.

Para o formando, conhecer os processos cognitivos, ajuda-o a encontrar as estratégias e as soluções adequadas às diferentes tarefas de aprendizagem; ao formador, ajuda-o a escolher os tipos de aprendizagem mais úteis e ajustados aos objetivos pretendidos e a criar condições de aprendizagem que facilitem a realização destas mesmas tarefas.

Como se constata no quadro seguinte, aprendemos de várias formas, e as diferentes formas como aprendemos, implicam processos de aprendizagem diferentes.

Aprendemos Processos de Aprendizagem Teorias / Principais Representantes
  1. Fazendo / Experimentando
  2. com o erro
  3. repetindo
  4. memorizando
  5. imitando
  6. reproduzindo o modelo

Condicionamento ou Aquisição de automatismos

Modelagem ou Reprodução de Modelos

Comportamentalistas / Behavioristas ( Watson, Thorndike, Skiner. )

Aprendizagem Social (Modelling), (Albert Bandura)

  1. com o grupo
  2. com a situação
  3. com o problema
  4. descobrindo
  5. transferindo
  6. associando/dissociando
  7. estruturando
  8. analisando
  9. reestruturando
  10. contextualizando
  11. aprendendo a aprender

Intuição ou descoberta (Insight)

Estruturação ou elaboração da informação

Cognitivistas (Wertheimer, Köhler, Koffka, Lewin, Piaget, Bruner, Ausubel, Chomsky...)

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Objetivos e domínios da aprendizagem

Como já foi referido, as tarefas de aprendizagem são múltiplas. Apesar desta multiplicidade podemos dividi-las em três grandes grupos ou domínios de aprendizagem (divisão proposta B. Bloom).

Contudo, esta divisão não significa que estes domínios se excluam, antes pelo contrário, o desenvolvimento de cada um pressupõe o desenvolvimento dos outros. Ela justifica-se por uma questão de sistematização e, ainda, porque é importante para o formador saber qual é o domínio predominantemente visado pelos objetivos de aprendizagem, para adotar os procedimentos adequados e criar as condições necessárias à realização das tarefas propostas:

  • domínio psicomotor (saber-fazer) - domínio das actividades motoras ou manipulativas. Conduzem ao desenvolvimento e aplicação das actividades motoras;
  • domínio cognitivo (saber-saber) - domínio da atividade mental ou intelectual. Diz respeito à aquisição de informações, ao desenvolvimento de capacidades e estratégias cognitivas e à sua aplicação a situações novas;
  • domínio afetivo (saber-estar/ser/atitudes) - domínio dos fenómenos da sensibilidade; envolvem interesses, atitudes e valores.

Como se pode ver no quadro resumo seguinte, os processos implicados na aprendizagem variam consoante os objetivos de aprendizagem visados:

Processos de Aprendizagem Objetivos Visados Domínios da Aprendizagem
Condicionamento ou Aquisição de Automatismos

Desenvolvimento da memória reprodutora

Aquisição de automatismo, gesto, destreza, performance

Psicomotor (saber fazer)
Intuição ou Descoberta Desenvolvimento da intuição, da criatividade, da capacidade de resolução de problemas, da tomada de decisão, da autonomia, da capacidade de trabalhar em grupo

Afetivo (saber estar/ atitudes)

Cognitivo (saber saber)

Estruturação ou Processamento da Informação Desenvolvimento da memória organizativa, do pensamento lógico, da capacidade de organização, estruturação, da capacidade de análise e síntese, da capacidade para a auto-formação Cognitivo (saber saber)
Reprodução do Modelo ou Modelagem Desenvolvimento da capacidade de observação, da memória afetiva e reprodutora, capacidade de reprodução rápida do «modelo»

Afectivo (saber estar /atitudes)

Psicomotor (saber fazer)

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Factores que influenciam a aprendizagem

Uma das preocupações que o formador deve ter quando planifica sessões de formação, é criar situações que favoreçam a aprendizagem, tendo em conta três variáveis:

  • o que vai ensinar (objetivos e domínios da aprendizagem);
  • como ensinar (estratégias);
  • a quem ensinar (público alvo).


A aprendizagem é condicionada por diversos fatores

Existem fatores internos e externos ao próprio indivíduo, que podem facilitar ou inibir o processo da aprendizagem.

Alguns destes fatores estão relacionados com caraterísticas das pessoas a quem se destina a formação.

O público alvo da formação profissional é, normalmente, constituído por adultos, o que implica procedimentos necessariamente diferenciados, na medida em que a aprendizagem adulta é substancialmente diferente da aprendizagem da criança e, por isso, o formador não pode ter o mesmo tipo de abordagem perante estes dois públicos distintos.

A investigação em Pedagogia de Adultos tem vindo a demonstrar que, ao contrário da crença generalizada de que "Burro velho não aprende línguas", os adultos aprendem também com facilidade desde que motivados e ativos. As diversas metodologias de «transmissão» de informação numa situação de ensino ou aprendizagem possuem resultados distintos na aprendizagem de adultos.

As diferenças entre as crianças e os adultos implicam alguns cuidados, que o formador deve ter, para evitar situações de insucesso e frustração, pois os adultos possuem uma fraca resistência ao fracasso em situações de ensino-aprendizagem. Possuem uma dada experiência de vida, crenças e valores acerca do mundo e dos outros, e pôr em causa os seus desempenhos, é pô-los em causa a eles enquanto pessoas.

Tanto as crianças como os adultos esquecem facilmente aquilo que ouvem, ou que lêem. Mais ainda, após os 30 anos de idade, as nossas capacidades de memorização decaem. Obrigar adultos a dependerem essencialmente da memória, auditiva ou visual, é fazer uma opção pedagógica incorrecta.

Os indivíduos em formação compreendem aquilo que está a ser dito; mais tarde, serão confrontados com a surpresa desagradável de não conseguirem reproduzir essa mesma informação. Este facto, ao ser interpretado como falta de capacidades para aprender, poderá conduzir a uma perda de autoconfiança, a frustração e desmotivação face a futuras aprendizagens.

Assim, para que a prática pedagógica conduza ao sucesso da aprendizagem, o formador deve ter em conta o seguinte:

  • o nível de dificuldade das atividades propostas, deve estar ao alcance de todos;
  • o formador deve garantir a resolução mínima dos exercícios por todos os participantes;
  • as correcções necessárias não devem assumir a forma de crítica destrutiva, mas devem ser feitas em forma de sugestão, ou de incentivo ao debate, conduzindo à auto-descoberta e à auto-transformação;
  • é muito importante a informação sobre os resultados obtidos e reforçar positivamente (reduz a insegurança).

Outro tipo de fatores que podem condicionar a aprendizagem são os internos ao próprio indivíduo, que fazem parte quer das suas caraterísticas de personalidade, quer das suas caraterísticas físicas:

Fatores intrínsecos condicionantes da aprendizagem
Fatores cognitivos Perceção
Atenção
Memória
Fatores Socioculturais Família
Grupos de pertença
Comunidade
Sociedade (valores, representações e estereótipos)
Fatores biológicos Neurofisiológicos
Genéticos
Fatores emocionais Estados de Espíritos
humor

Existem também fatores externos ao próprio indivíduo, que podem facilitar o processo da aprendizagem (são da responsabilidade do formador):

  • definir objetivos e dá-los a conhecer;
  • avaliar pré-requisitos;
  • explicitar as estratégias;
  • motivação (situar num contexto);
  • manter o grupo ativo e participante (proporcionar trabalhos de grupo e de investigação);
  • utilizar os meios técnicos e práticos disponíveis (vídeo, videoprojetor e outros);
  • fazer sínteses parcelares e conclusões;
  • exercícios práticos;
  • fazer a avaliação da aprendizagem;
  • discussão dos resultados.

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A aprendizagem significativa, é favorecida pelos processos interativos que se estabelecem, em relação aos quais o formador tem um papel importante, na medida em que depende dele o «clima», o «estilo» de relações psicossociais que se estabelecem durante a formação, assim:

  • a aprendizagem deve processar-se num clima de confiança e abertura que propicie a partilha de experiências e vivências, visando um enriquecimento mútuo;
  • a aprendizagem não deve ser estanque mas negociada, os objetivos devem ser explícitos e partilhados;
  • a aprendizagem deve situar-se relativamente a um quadro de referência, apelo às experiências e vivências dos formandos, no sentido de os motivar e implicar;
  • a aprendizagem deverá ser dirigida para o aqui e agora dos acontecimentos, as finalidades devem ser explícitas.

Ideias a reter:

  • A aprendizagem em adultos é diferente da aprendizagem em crianças;
  • As diferentes formas de aprender implicam processo diferentes de aprendizagem;
  • Os processos cognitivos presentes na realização das tarefas de aprendizagem dependem da natureza dessa mesma tarefa, isto é, do domínio visado pelos objetivos;
  • O formador deve criar situações que favoreçam a aprendizagem, devendo conhecer diversos fatores facilitadores da aprendizagem.